1. “Olá, guardador de rebanhos,
    Aí à beira da estrada,
    Que te diz o vento que passa?”

    “Que é vento, e que passa,
    E que já passou antes,
    E que passará depois.
    E a ti o que te diz?”

    “Muita coisa mais do que isso.
    Fala-me de muitas outras coisas.
    De memórias e de saudades
    E de coisas que nunca foram.”

    “Nunca ouviste passar o vento.
    O vento só fala do vento.
    O que lhe ouviste foi mentira,
    E a mentira está em ti.”

    — Alberto Caeiro, in O Guardador de Rebanhos, Poema X
     

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